Sabe aquelas horas que você tá cansada da família, das chateações do trabalho, e vai se encontrar com suas amigas pra tomar um chopp? Ou então, quando tá a fim de “descansar” do namorado e fazer um programa de mulherzinha? Ou somente falar daquele esmalte ma-ra-vi-lho-so que viu na farmácia, ou do cara liiindo que viu no caminho da academia? Poisé. Essa não sou eu.

Blair Waldorf, a personificação da garota-clube-da-luluzinha
Eu tenho algumas amigas, sim. Moro numa república onde considero algumas das meninas minhas amigas. Tenho 1 ou duas amigas na faculdade e aqui no trampo, de 5 pessoas, só me abro pessoalmente com uma menina. Tenho algumas amigas ainda do colégio onde estudava, de um dos trampos passado, etc. Mas daí a agregar essa gente toda e formar um Clube da Luluzinha? Não dá. Nem todo mundo se conhece e tem gente em cidades diferentes!
Vou me explicar antes que vocês digam que sou uma garota dependente e chata, que não tem amigas por causa do namorado, bla bla bla. Em toda a minha vida desde que eu nasci, SEMPRE me dei muito melhor com os homens. E porque? Ah.. a objetividade, o companheirismo na amizade, sem julgamento, foram características que sempre me atraíram no sexo masculino. Resultado: 85% dos meus amigos são homens.
As frivolidades que citei acima não me atraem muito numa conversa. Eu até de vez em quando falo de um sapato que achei bonito, uma roupa, um garoto, e só. Não fico rendendo muita coisa. Agora, começa a falar comigo sobre Direito, tecnologia, internet, seriados?? Vou ficar horas enchendo sua cabecinha!
E é esse o meu problema em ser amiga das mulheres-padrão. Elas conversam sobre Avon, Mary Kay, Caio Castro, Henri Castelli, colírios da Capricho (pras teens), esmalte Risqué, unha, pé, mão, cabelo, progressiva, bolsa, decoração, maquiagem. Eu falo sobre blogs, sites, podcasts, novos celulares, gadgets, Constituição, Código Civil, Código Penal, administração, Mark Zuckerberg (se você não souber quem é, se mata não continue na ignorância), Steve Jobs, Twitter, software livre, viagens, turismo e por aí vai.
Loonge de querer ser intelectual. Longe de querer achar vantagem nisso, afinal, tem seus prós e contras de não ser uma mulher-padrão. Mas pela minha lista de assuntos, o mais natural é que homens, claro, os que se interessam por tecnologia e afins, se tornem meus amigos. E não deu outra: a maioria deles são tech and game lovers.
Se eu tenho algo a reclamar: sim, às vezes sinto falta de uma visão mais feminina das coisas. Daquela amiga pra dizer que o vestido ficou uma bosta e você tem que trocar imediatamente. Ou para te elogiar, dizendo que o cabelo ficou bonito. Tenho isso algumas vezes na minha vida, mas se eu tivesse O “Clube da Luluzinha” teria mais chances de ser criticada e amada ao mesmo tempo.
Mas o problema das mulheres está exatamente nesse julgamento. Mulher se veste pra mulher, e vocês sabem disso. Então sempre temos pontos a discordar. Não só em roupas, mas nas atitudes uma da outra. E aí começa a desconfiança… coisa que raramente vejo nos homens. Se o cara faz uma merda, o outro amigo detona ele, no outro dia tão bebendo uma de novo. Eles sabem passar pra frente. As mulheres não. Ficam numa discussão eterna e eu não tenho saco pra isso. Ficam dias sem se falar, depois começam timidamente a falar uma com a outra, aí ficam amigas de novo. Objetividade não é o lema da maioria das mulheres. Uma hora ela vai brigar com você e resgatar aquela discussão que vocês tiveram tipo, um ano atrás! Comassim, Bial! É, nós somos complicadas mesmo. E jogamos na cara.
Todos têm seus defeitos. Mas o meu tipo de amizade se encaixa mais com a que os homens possuem. Às vezes felizmente, às vezes infelizmente.

My pride
Eu na revista Info, Setembro 2010
Tags:Amizade, Clube da Luluzinha, homens, mulheres